Consórcio

Consórcio é uma forma de comprar um bem caro sem pagar juros de financiamento. Um grupo de pessoas paga parcelas mensais para um fundo comum e, todo mês, parte desse dinheiro vira crédito para alguns participantes comprarem o que combinaram. Quem organiza o grupo, cobra as parcelas e libera os créditos é uma empresa autorizada pelo Banco Central, chamada administradora. O modelo troca juros por espera: você paga menos ao longo do tempo, mas não escolhe o mês em que recebe o dinheiro.

Na prática: Em um grupo de 200 pessoas formado para comprar carros de R$ 100 mil, todas pagam a parcela mensal. Todo mês, algumas delas são escolhidas para receber o valor.

Como o dinheiro circula dentro do grupo

Um grupo de consórcio nasce quando a administradora reúne um número definido de pessoas interessadas no mesmo tipo de bem e em valores parecidos. Todas assinam um contrato de adesão, aceitam o regulamento e passam a pagar uma parcela por mês.

Esse dinheiro se acumula no fundo comum, que é o caixa coletivo do grupo. Uma vez por mês acontece a assembleia, a reunião em que a administradora anuncia quantos créditos o caixa comporta naquele mês e quem vai recebê-los.

A escolha acontece de duas maneiras. A primeira é o sorteio, gratuito e aberto a todos os participantes em dia. A segunda é o lance, em que participantes oferecem pagar antecipadamente uma parte do que ainda devem. Quem oferece mais leva o crédito daquele mês.

Quem recebe o crédito continua pagando as parcelas até o fim do prazo. Receber antes não encurta a dívida, apenas antecipa o uso do dinheiro. Por isso o consórcio é descrito como uma compra programada, e não como um empréstimo.

O que você paga: parcela, taxa e fundos

A parcela do consórcio não é formada só pelo valor do bem dividido pelo prazo. Ela reúne três partes principais, e entender essa divisão evita a surpresa mais comum de quem entra em um grupo.

A primeira parte é o fundo comum, que é a sua contribuição para o caixa coletivo. É essa fatia que forma os créditos entregues mês a mês e que, no fim, corresponde ao valor do bem que você vai comprar.

A segunda parte é a taxa de administração, o que a administradora cobra pelo trabalho de organizar o grupo, fazer as assembleias, cobrar inadimplentes e processar as transferências. Ela costuma variar entre 15 e 25 por cento do valor do crédito, diluída em todas as parcelas.

A terceira parte é o fundo de reserva, uma poupança de segurança do grupo usada quando alguém atrasa. Alguns grupos cobram ainda um seguro que quita a cota em caso de morte ou invalidez. Somadas, essas parcelas menores explicam por que o total pago supera o valor do crédito, mesmo sem juros.

A troca real: menos juros, menos previsibilidade

O consórcio costuma custar menos que um financiamento porque não existe banco emprestando dinheiro e cobrando juros pelo risco. O dinheiro é do próprio grupo. O custo se resume à taxa de administração e aos fundos.

Em compensação, você abre mão de uma coisa que o financiamento entrega: saber a data em que terá o bem. Em um grupo novo, a contemplação pode acontecer no segundo mês por sorteio ou apenas perto do fim do prazo. Não existe fila por ordem de entrada.

É por isso que o consórcio funciona bem para quem está planejando uma compra futura e mal para quem precisa do bem agora. Entrar em um grupo com pressa costuma levar a lances altos, que consomem a economia que motivou a escolha.

Existe uma terceira saída, menos conhecida: comprar de alguém que já foi contemplado. É esse mercado que a VemCon organiza.

Onde entra a compra de uma carta já contemplada

Quem já foi contemplado tem em mãos um crédito liberado e pode transferir esse direito para outra pessoa. Essa transferência se chama cessão e precisa ser autorizada pela administradora para ter validade.

Para o comprador, a vantagem é evidente: ele entra no lugar de alguém que já passou pela espera. Recebe um crédito pronto para usar, sem sorteio e sem lance, e assume as parcelas que ainda faltam.

Em troca, paga ao vendedor um valor acima do que ele já investiu na cota. Esse valor extra se chama ágio e é o preço da espera que o comprador não precisou enfrentar.

Toda carta anunciada na VemCon já está contemplada e passa por conferência do extrato antes de aparecer para os compradores. A transferência oficial continua sendo feita pela administradora, que analisa o comprador segundo o próprio regulamento.

Consórcio, financiamento e poupança lado a lado

No financiamento, você tem o bem imediatamente e paga juros pelo empréstimo. É a opção de quem precisa do bem agora e aceita o custo disso.

Na poupança tradicional, você junta dinheiro sem custo de juros, mas depende exclusivamente da própria disciplina e da rentabilidade da aplicação.

O consórcio fica entre os dois: não cobra juros, impõe disciplina por contrato e oferece a chance de antecipar a compra por sorteio ou lance.

A desvantagem em relação ao financiamento é a incerteza da data. A desvantagem em relação à poupança é a menor liquidez, já que sair antes do fim é caro.

Comprar uma carta contemplada é uma quarta opção, que combina o custo do consórcio com a previsibilidade do financiamento, ao preço do ágio pago ao vendedor.

Pontos de atenção

  • Consórcio não é investimento nem poupança. O objetivo é comprar um bem, e sair do grupo antes do fim costuma sair caro.
  • O valor do crédito é reajustado todo ano para acompanhar o preço do bem. A parcela sobe junto, e isso precisa caber no orçamento.
  • Nenhuma administradora séria promete data de contemplação. Se alguém garantir que você será contemplado em determinado mês, desconfie.
  • Ficar inadimplente tira você dos sorteios e dos lances, mesmo que a parcela seja quitada depois.

Perguntas frequentes

Consórcio tem juros?

Não. O grupo não empresta dinheiro de um banco, então não há juros. Existem custos, e eles aparecem na taxa de administração e nos fundos cobrados dentro da parcela. Por isso o total pago ao longo do prazo é maior que o valor do crédito, ainda que costume ficar abaixo do custo de um financiamento equivalente.

Quanto tempo demora para ser contemplado?

Não existe prazo garantido. A contemplação depende de sorteio ou de lance, e os dois variam a cada assembleia conforme o caixa do grupo e a concorrência entre os participantes. Quem não quer depender disso costuma comprar uma carta de alguém que já foi contemplado, porque nesse caso o crédito já está liberado.

Posso desistir do consórcio e receber meu dinheiro de volta?

Você pode sair do grupo, mas a devolução segue as regras do contrato e da administradora. Na maioria dos casos o valor só é devolvido no encerramento do grupo, com descontos previstos em regulamento. Vender a cota para outra pessoa costuma ser mais vantajoso do que desistir, principalmente quando ela já foi contemplada.

Consórcio vale a pena para quem tem o dinheiro à vista?

Se você já tem o valor integral, comprar à vista costuma ser mais simples e mais barato. O consórcio faz sentido quando o dinheiro ainda será formado ao longo do tempo, ou quando manter o capital aplicado rende mais do que o custo da taxa de administração. É uma comparação de números, não de preferência.

Termos relacionados

Ver todos os verbetes do glossário