Taxa de administração
Taxa de administração é o que a administradora cobra pelo trabalho de organizar e conduzir o grupo de consórcio. Ela remunera a realização das assembleias, a cobrança das parcelas, a gestão do caixa, a análise dos contemplados e o processamento das transferências. Costuma ficar entre 15 e 25 por cento do valor do crédito, diluída em todas as parcelas ao longo do prazo. É o principal custo do consórcio, já que não existem juros.
Na prática: Costuma ficar entre 15% e 25% do valor do crédito, cobrada ao longo de todo o prazo do grupo.
O que a taxa remunera
A administradora não é apenas uma intermediária. Ela precisa manter estrutura para conduzir assembleias mensais, apurar lances, sortear cotas, cobrar inadimplentes e prestar contas ao Banco Central.
Também é dela a análise documental de cada contemplado, a avaliação do bem e o pagamento ao vendedor. Esse trabalho tem custo operacional real e recorrente ao longo de todo o prazo do grupo.
Quando alguém compra uma carta contemplada, a administradora analisa o novo titular e emite os documentos da transferência. Essa operação também está dentro do que a taxa sustenta.
Além disso, a lei exige segregação dos recursos do grupo em relação ao patrimônio da administradora, o que impõe controles contábeis que igualmente custam dinheiro.
Como ela aparece na sua parcela
A taxa é expressa como percentual do valor do crédito e diluída ao longo das parcelas. Uma taxa de 20 por cento sobre um crédito de 200 mil reais significa 40 mil reais pagos ao longo do prazo.
Em um grupo de 200 meses, isso representa cerca de 200 reais por mês somados ao fundo comum. É por isso que a parcela nunca é apenas o crédito dividido pelo prazo.
Algumas administradoras concentram parte da taxa nas primeiras parcelas, prática chamada de antecipação. Isso encarece o começo do contrato e precisa estar claro na adesão.
Como a taxa incide sobre o crédito, ela também é reajustada anualmente. Quando o crédito sobe, a parcela da taxa acompanha na mesma proporção.
Comparando taxas entre administradoras
Percentuais parecidos podem gerar custos bem diferentes conforme a forma de cobrança e o prazo do grupo. Comparar apenas o número anunciado leva a conclusões erradas.
O jeito honesto de comparar é olhar o valor total da parcela em grupos de crédito e prazo equivalentes. É esse número que sai do seu bolso todo mês.
Vale checar também se existem cobranças adicionais além da taxa, como fundo de reserva e seguro. Elas não são taxa de administração, mas entram na conta final.
Uma taxa menor com prazo mais longo pode custar mais no total, porque você paga por mais tempo. O total é o que importa, não o percentual isolado.
A taxa quando você compra uma carta contemplada
Quem compra uma carta não paga a taxa de novo. Ela já está embutida nas parcelas daquela cota, e parte dela foi paga pelo vendedor ao longo dos meses que ele cumpriu.
O que o comprador assume é o restante da taxa, diluído nas parcelas que ainda faltam. Esse valor já está dentro do saldo devedor informado no extrato.
É diferente da taxa de transferência, que é uma cobrança específica pela troca de titular e é paga uma única vez, diretamente à administradora.
Confundir as duas é comum. A taxa de administração é o custo contínuo do grupo. A taxa de transferência é o custo pontual da cessão.
Por que a taxa não é juro
No financiamento, o banco empresta dinheiro próprio e cobra juros pelo risco e pelo custo de captação. O valor cresce conforme o tempo que você leva para pagar.
No consórcio não há empréstimo. O dinheiro é do próprio grupo, e a administradora apenas organiza a operação. A remuneração dela é um preço de serviço, definido em contrato.
A diferença prática é que a taxa é conhecida desde o começo e não cresce por atraso na contemplação. Ela é um percentual fixo sobre o crédito.
É por isso que o custo total do consórcio costuma ficar abaixo do custo de um financiamento equivalente, mesmo com a taxa parecendo alta quando vista isoladamente.
O que observar no contrato
Confira o percentual total e, principalmente, como ele está distribuído ao longo das parcelas. Antecipação de taxa muda bastante o fluxo de caixa dos primeiros anos.
Verifique se existe cobrança adicional em caso de contemplação, transferência ou uso do crédito, e quanto ela representa.
Cheque também o percentual do fundo de reserva e a existência de seguro, porque os três somados formam o custo real acima do fundo comum.
Guarde esse cálculo. Ele é a base para comparar honestamente uma adesão nova com a compra de uma carta já contemplada.
Pontos de atenção
- A taxa é diluída nas parcelas e reajustada todo ano, junto com o crédito.
- Percentual anunciado não é comparável entre grupos de prazos diferentes. Compare o valor da parcela.
- Algumas administradoras antecipam parte da taxa nas primeiras parcelas. Confira na adesão.
- Taxa de administração e taxa de transferência são cobranças diferentes e não se substituem.
- Quem compra uma carta não paga a taxa de novo, apenas o que resta diluído nas parcelas.
Perguntas frequentes
A taxa de administração pode ser negociada?
O percentual é definido no contrato de adesão do grupo e vale igualmente para todos os participantes, então não há negociação individual depois da assinatura. O que existe é comparação antes de aderir, porque administradoras diferentes praticam percentuais diferentes. Depois de dentro do grupo, o número está fixado em contrato e não muda por pedido do consorciado.
Se eu quitar antes, pago menos taxa?
Depende de como a taxa está estruturada no seu contrato. Em muitos grupos, a quitação antecipada reduz o total pago em taxa, porque parte dela é cobrada junto com as parcelas restantes. Em outros, a taxa é considerada integralmente devida. Solicite à administradora o valor exato de quitação antes de decidir, porque a diferença pode ser relevante.
Taxa de administração alta significa consórcio ruim?
Não necessariamente. O que importa é o custo total em relação ao prazo e ao valor do crédito, além da qualidade da operação: regularidade nas assembleias, agilidade na liberação do crédito e clareza na comunicação. Uma taxa um pouco maior em uma administradora que libera crédito com rapidez pode sair melhor que uma taxa baixa com processo lento.
A taxa aparece separada na parcela?
Sim. O extrato e o boleto costumam discriminar as parcelas do fundo comum, da taxa de administração, do fundo de reserva e de eventual seguro. Vale conferir essa composição pelo menos uma vez, porque é ela que explica por que a soma de todas as parcelas supera o valor do crédito mesmo em um sistema sem juros.