Parcela

Parcela é o valor que o consorciado paga todo mês. Ela não é apenas o crédito dividido pelo prazo: reúne a contribuição para o fundo comum, a taxa de administração, o fundo de reserva e, em alguns grupos, um seguro. É essa composição que explica por que a soma de todas as parcelas supera o valor do crédito, mesmo em um sistema que não cobra juros.

Do que a parcela é feita

A maior fatia é o fundo comum, que é a sua contribuição para o caixa coletivo do grupo. Somada ao longo do prazo, ela corresponde ao valor do crédito que você vai receber.

A segunda fatia é a taxa de administração, a remuneração da empresa que organiza o grupo. Ela costuma ficar entre 15 e 25 por cento do crédito, diluída em todas as parcelas.

A terceira é o fundo de reserva, uma poupança de segurança usada quando participantes atrasam. O percentual é pequeno, mas aparece em todas as parcelas.

Alguns grupos incluem ainda um seguro que quita a cota em caso de morte ou invalidez do consorciado. Nem toda administradora cobra, e vale checar no contrato.

Por que a parcela sobe todo ano

A parcela é calculada sobre o valor do crédito, e o crédito é reajustado anualmente para acompanhar o preço do bem. Quando um sobe, o outro sobe junto.

Em imóveis, o índice mais usado é o INCC, que mede o custo da construção. Em veículos, costuma ser a variação da tabela FIPE.

Isso significa que a parcela do décimo ano não é a do primeiro. Em contratos longos, o efeito acumulado é grande e precisa entrar no planejamento desde a adesão.

O lado positivo é que o crédito também cresce, então o poder de compra da carta é preservado. O reajuste protege o consorciado tanto quanto o compromete.

O que acontece se você atrasar

O efeito imediato é ficar fora do sorteio e do lance da assembleia seguinte. Uma única parcela vencida já basta, mesmo que seja paga poucos dias depois.

Há também encargos por atraso, definidos em contrato, que costumam incluir multa e juros de mora sobre o valor devido.

Se a inadimplência persistir, a administradora pode cancelar a cota. Nesse caso, os valores pagos costumam ser devolvidos apenas no encerramento do grupo, com descontos.

Para quem já foi contemplado e usou o crédito, o atraso é mais sério, porque o bem comprado está registrado como garantia da dívida.

Parcela depois da contemplação

Ser contemplado não encerra a obrigação mensal. As parcelas continuam até o fim do prazo, porque a contemplação antecipa o uso do dinheiro, e não a quitação da dívida.

Se houve lance, o valor ofertado abate o saldo devedor, o que reduz o número de parcelas ou o valor delas, conforme o regulamento do grupo.

É comum haver alteração no valor da parcela depois da contemplação, porque alguns grupos incluem custos ligados à garantia e ao seguro do bem.

Quem compra uma carta contemplada assume exatamente essas parcelas restantes, com o reajuste anual que já estava previsto no contrato original.

Como avaliar a parcela ao comprar uma carta

O valor da parcela atual é apenas metade da informação. A outra metade é quantas parcelas ainda faltam até o fim do prazo do grupo.

Multiplique uma pela outra e você tem o compromisso total que está assumindo, sem contar o reajuste anual que vai incidir ao longo do caminho.

Some esse número ao valor pedido pelo vendedor e à taxa de transferência da administradora. Só assim se compara duas cartas de forma honesta.

Na VemCon, a parcela, o número de parcelas restantes e o saldo devedor aparecem na página de cada carta, justamente para permitir essa conta.

Formas de reduzir o peso da parcela

A primeira é amortizar o saldo devedor com pagamentos extras, escolhendo reduzir o valor das parcelas em vez de encurtar o prazo, quando o grupo permite.

A segunda é usar saldo remanescente do crédito, quando o bem comprado custa menos que a carta e a administradora autoriza esse abatimento.

A terceira é escolher, na compra de uma carta, uma cota com prazo restante compatível com o seu orçamento, em vez de olhar apenas o valor de entrada.

O que não funciona é contar com renegociação. As parcelas seguem regras coletivas do grupo e não são individualmente negociáveis como um empréstimo bancário.

Pontos de atenção

  • A parcela não é o crédito dividido pelo prazo. Ela inclui taxa de administração e fundos.
  • Uma parcela em atraso já tira você do sorteio e do lance daquela assembleia.
  • A parcela é reajustada todo ano junto com o crédito. Planeje o orçamento contando com isso.
  • Ser contemplado não encerra as parcelas. Elas seguem até o fim do prazo do grupo.
  • Ao comparar cartas, multiplique a parcela pelo número de parcelas restantes.

Perguntas frequentes

Por que a soma das parcelas é maior que o crédito se não há juros?

Porque além do fundo comum, que corresponde ao crédito, a parcela inclui a taxa de administração e o fundo de reserva. Esses custos remuneram o trabalho da administradora e protegem o caixa do grupo. Não são juros, já que ninguém está emprestando dinheiro, mas são custos reais que fazem o total pago superar o valor da carta.

Posso pagar parcelas adiantadas?

Sim, a maioria das administradoras permite antecipar parcelas ou amortizar o saldo devedor com pagamentos extras. Em geral você escolhe entre reduzir o prazo ou reduzir o valor das parcelas seguintes. Antecipar costuma valer a pena porque diminui a exposição ao reajuste anual. Confirme no regulamento do grupo qual das duas opções está disponível.

A parcela muda depois que eu compro o bem?

Pode mudar. Alguns grupos incluem, após o uso do crédito, custos ligados à garantia sobre o bem e ao seguro exigido pela administradora. O reajuste anual continua valendo normalmente. Ao comprar uma carta contemplada em que o crédito ainda não foi usado, vale perguntar à administradora se haverá alteração no valor depois do faturamento do bem.

O que acontece se eu não conseguir pagar?

O primeiro efeito é ficar fora dos sorteios e lances, além dos encargos previstos em contrato. Se a situação persistir, a cota pode ser cancelada, e os valores pagos costumam ser devolvidos apenas no encerramento do grupo, com descontos. Antes de chegar a esse ponto, vender a cota costuma ser a saída financeiramente mais vantajosa.

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